quinta-feira, 17 de julho de 2008

palavras não ditas...



Aproveito a boleia, deste blog para agradecer-vos de tudo quanto fizeram por mim. Não sei se mereço tanto. Como passa o tempo! Eh? Um ano! Sim! Um ano intenso, construído com grandes silêncios, entusiasmos, lágrimas de alegria e lágrimas de feridas. Aprendo a ser Padre. Dia após dia. Não vou perder a minha vontade de ser simples e alegre. Após a ordenação mergulhava em mim grandes sentimentos. Sentimentos de um noivo que deixa a sua casa e se prepara por uma vida de união. Uma vida em que se sente mais forte porque sabe que os ombros da sua esposa são grandes para pode-los segurar nos momentos mais frágeis. Deus quis que a minha missão tivesse um rosto e um nome. Deus quis que o nosso filho para cuidar tivesse uma identidade específica, uma criança para acompanhar e amar com um nome escolhido por Ele: Pedrógão. Esse era o seu nome. Terra desconhecida até então. Cheguei nesta terra, um dia de chuva do final de Setembro. Logo a música de banda, os sorrisos das pessoas, a festa gravado nos rostos alguns cansados e queimados de tanto viver fizeram sentir que era o mensageiro de Deus. E o coração batia sempre mais forte nas palavras de um juramento pronunciado diante do meu Bispo. É dizia entre os dentes apertados para não poder chorar…é esse! Esse é o meu povo! Longos períodos de solidão sucederam após este dia. Um centro de assistência paroquial: era preciso entrar naquela linguagem, perceber do que se falava, cinco comunidades, diferentes umas das outras, alguns jovens e uma casa para habitar, grande! Demasiado vazia por uma pessoa que nem sequer tinha família aqui. Um corredor de uma casa que assustava-me de noite pelo silencio. E depois??? Palavras, chá, conversas expectativas: foi como construir um mundo a minha volta. Finalmente começaram a aparecer os jovens que tanto desejava. Rostos alegres, choradas ao som da musica e a volta de uma fogueira. Com estes caminho. Que bom! A oração, os sorrisos, a brincadeira, o futuro para pensar e discutir, os erros a reparar: sou pastor, sou pai, sou amigo. Estes ajudaram nos seu acreditar em mim nos momentos em que a tentação de dizer: «não sou capaz!» era forte! Aqui estou agora. Naquela festa a surpresa feita pelo meu primeiro ano de sacerdócio faltava-me o ar, não consegui dizer nada. Durante a missa passou como um filme todo o meu primeiro ano. Ainda agora estou sem palavra. Todas as pessoas que ajudaram não me esqueço de rezar por elas e entrega-las a Deus e só consigo dizer a toda a minha Paroquia: «amo-vós e perdoe-me se ainda não consegui dar o máximo. Vou fazer o possível para conseguir!» Pedrógão!? Que terra tão comum mas ao mesmo tempo tão original, única! Ainda não acabou! Vamos continuar? Aqui estou!
Pe Mario
(Desculpem se há algum erro de portugúes! Foi escrito de jeito. Não importa! Estamos em família! Hehehe)

3 comentários:

Helena disse...

Acha que depois do que escreveu, palavras tão sentidas, alguém vai reparar nos erros?
Lembro-me do sorriso que trazia e da imensa tristeza que passou a ter passado pouco tempo de estar connosco, agora percebo porquê, era o corredor que o assustava, mas não existia nenhum papão na casa?!
Tem tido um percurso interessante e bonito, têm feito muito por esta comunidade, às vezes um "bocadão" teimoso, mas nem tudo pode ser bom, não precisa de se esforçar mto mais, para todos os anos ter uma festa assim, continue apenas a sorrir como tem feito, e a rezar por todos nós, que eu vou rezar por si, para tentar subir na fasquia dos 3 pontos, nota como cristã.
Que para o ano cá estejamos todos para comemorar de novo!

ana Margarida disse...

so por estas palavras escritas penso que pode tomar como merecdo tudo o que aconteceu na terça...
nao sao so as palavras ditas que custam mas tambem as palavras escritas...
mesmo que as palavras escritas revelem apenas parte do que nos passamos enquanto as escrevemos...
estas nao so desvendam parte de si mas sentimentos e momentos muito bonitos...
parabéns

Peregrino disse...

Tenho imenso orgulho em falar de si como sendo meu Pároco.
Ensinou-me a acreditar ainda mais e soube dizer EXACTAMENTE aquilo que eu precisava de ouvir nos momentos em que mais precisei.
Como um oleiro, moldou-me para entender aquilo que Deus queria para mim...
Sou o fruto das suas entraves, das suas provocações e das noites que me fez perder com as palavras que me foi dizendo...

Aconteça o que acontecer, faça chuva, faça sol, esteja alegre ou triste, chegue ou não ao final do percurso que vou iniciar, o Padre Mário será sempre a melhor pessoa que me apareceu à frente e um amigo que jamais esquecerei...

Que Deus o abencoe e lhe dê força para seguir em frente... No que for possível, pode sempre contar comigo!