domingo, 27 de julho de 2008

Terceiro Encontro de Preparação: O CAMINHO DE SANTIAGO PROPRIAMENTE DITO

“Pequenas coisas podem ter um grande valor.”

Interveniente: Graça Lucena

Deus chama-nos hoje como chamou, em tempos, os 12. Por isso, o encontro começou com a leitura de dois excertos bíblicos relacionados com o chamamento do apóstolo Tiago e da sua posterior morte, como mártir.
Esses excertos podem encontrar-se na Bíblia, em Mateus 4,16 e nos Actos dos Apóstolos, 12,1.
O Apóstolo tem uma ligação muito importante a Santiago de Compostela na medida em que foi o primeiro apóstolo a derramar o seu sangue por causa da fidelidade ao Senhor.

Dados Históricos:
Reza a lenda que, depois de morto, no ano 42, o corpo de São Tiago foi deixado na rua, à mercê dos cães. Os apóstolos, no entanto, não o quiseram deixar ali e pegaram nele rumarando para terras de Hispânia, na Península Ibérica, contornaram a Lusitânia e acabaram por aportar na Galiza. Pediram ajuda à rainha de Espanha, que lhes concedeu um par de bois mansos, que, na realidade, eram touros bravos. Perante o corpo do apóstolo, os touros amansaram e carregaram o corpo do apóstolo, até pararem num campo, onde Tiago foi sepultado numa capela. Junto do túmulo do Apóstolo ficaram os outros que aí permaneceram até à morte.
Com as invasões dos Mouros, a capela caiu no esquecimento até 813, altura em Santiago aparece na história. Um pastor terá encontrado o túmulo no meio de um campo estrelado. Daí o nome da Cidade: campo de estrelas à Campus stellae à Compostela.
A peregrinação a Santiago de Compostela não é comum, como se fosse a Fátima, por exemplo. Senão vejamos: na Idade Média, Santiago era um lugar de peregrinação de toda a Europa. Existiam diversos caminhos que levavam à cidade. É o caso, por exemplo, do Caminho Francês, onde se encontram a maioria das rotas vindas de Europa.
Só em Portugal, existem três rotas: a que vamos fazer, por Valença do Minho, a do Gerês e outra em Trás-os-Montes. Na Idade Média, também os portugueses faziam peregrinação. Era algo muito mais comum do que hoje em dia. Os peregrinos eram pessoas muito valorizadas e queridas pelo que as pessoas não tinham medo de os ajudar e eram hospitaleiras para com eles. Isso acontece ainda hoje, em que muitos dos restaurantes que se encontram pelo caminho oferecem descontos aos peregrinos.




Dados Culturais:
Quando o caminho de Santiago coincide ao Domingo, o ano é chamado de Jacobeu. Trata-se de um ano em que há uma peregrinação maior, dando origem ao ano do encontro europeu do Jacobeu. E é um ano em que o Espírito Santo se manifesta de uma forma mais intensa.Por isso a afluência é maior e é normalmente festejado com outros eventos associados: Culturais, Juvenis (como aconteceu em 1999 - Encontro Europeu de Jovens)Na Idade Média, existiam três grandes destinos de Peregrinação Católica: Santiago de Compostela, Jerusalém e Roma onde se veneravam, respectivamente, os túmulos de São Tiago, de Jesus e de São Pedro. No entanto, Santiago era mais visitada do que Jerusalém. A importância dessa cidade é visível na palavra “peregrino” que, sendo hoje um termo geral de quem viaja a um local sagrado, era, na altura, apenas dedicado a quem viajava para Santiago. A Roma iam romeiros e a Jerusalém, palmeiros.
Mas, quem é o peregrino?
É alguém que sai de casa, do mundo que conhece e vai à procura de se converter, numa cidade ideal. A simbologia da peregrinação passa por cumprir momentos de prova para, no momento da morte, ganhar a salvação. Há uma vivência de despojamento e de pobreza. O verdadeiro peregrino carrega as suas próprias coisas. Sente-se um estrangeiro.
Como vamos nós caminhar?
Temos de ficar disponíveis para coisas onde teremos de nos adequar às circunstâncias (andar todos a um passo constante, por exemplo). O sentido do Caminho de Santiago é viver cada momento. É um factor de crescimento na forma como Jesus Cristo caminha com cada um de nós.
O caminho de Santiago está carregado de misticismo: quem o faz e o vê vai encontrar Cristo. Jesus costuma sempre manifestar-se até pelo lado menos positivo (capacidade de aceitar a ajuda dos outros, por exemplo).
O bom de Santiago é a Comunhão. Daí que o espírito de grupo é muito importante e todos têm de dar de si para que não haja problemas. Deve haver um grande espírito de EUCOMUNISMO.
Podemos ter um encontro com alguém que nos vai mudar até aos pontos de vista ou à maneira de pensar. O contacto com pessoas de fora do nosso grupo pode ser muito importante.
Símbolos do Caminho:




  • O Chapéu: para proteger do Sol
  • A Vieira: para ajudar a beber a água.
  • A Cabaça: para levar a água.
  • O Cajado / Bordão: para ajudar a caminhar. Pode ser também um símbolo espiritual de alguma imperfeição que o caminho pode curar e é possível que deixemos o bordão em Santiago.

Motivações de quem faz o caminho:

  • Ganhar indulgências;
  • Fazer penitência;
  • Encomenda em nome de uma pessoa que não o pode fazer;
  • Cumprimento de condenação ou delito;
  • Aventura.

    Dados Gerais:

  • É necessário comer e beber muita água.
  • Albergues: Existem de vinte em vinte quilómetros e têm um guia do turismo espanhol. O acesso ao albergue para grupos não organizados (não é o nosso caso) é feito através da caderneta do peregrino que dará também direito à Compostela.
  • Existem beliches e chuveiros.
  • É preciso sair cedo e despachar.
  • Levantar cedo para ter lugar no chuveiro.
  • Começar a caminhar cerca das 6h30-7h00.
  • É preciso dormir o suficiente.
  • Há uma oferta arquitectónica e natural muito grande pelo que é bom estar atento.
  • O que é a Compostela? É um “diploma” que certifica que fizemos o caminho de Santiago. São necessários 100kms a pé ou a cavalo ou 200kms de bicicleta.
  • Além da lista já disponibilizada pelo Padre Mário na Internet, a Graça recomenda que levemos dois pares de meias e um impermeável.
  • Medicamentos a colocar na mochila:
    · BENURON
    · MEDICAÇÃO PARA A DIARREIA.

Testemunho pessoal da Graça:
"Acontecem coisas que vão correr de forma "anormal": irrito-me mais, durmo num sítio diferente do que estava previsto…"O que é previsto e esperado, muda. O lidar com estes imprevistos, a aceitação e depositar confiança em DEUS é o grande desafio."O que penso de mim mesmo é diferente daquilo que o caminho me mostrou de mim mesmo.""O Caminho de Santiago é um condensado de diversas situações que acontecem na nossa vida. É uma lição de vida e de relação com Deus."

Abraços e/ou beijos para todos

quinta-feira, 17 de julho de 2008

palavras não ditas...



Aproveito a boleia, deste blog para agradecer-vos de tudo quanto fizeram por mim. Não sei se mereço tanto. Como passa o tempo! Eh? Um ano! Sim! Um ano intenso, construído com grandes silêncios, entusiasmos, lágrimas de alegria e lágrimas de feridas. Aprendo a ser Padre. Dia após dia. Não vou perder a minha vontade de ser simples e alegre. Após a ordenação mergulhava em mim grandes sentimentos. Sentimentos de um noivo que deixa a sua casa e se prepara por uma vida de união. Uma vida em que se sente mais forte porque sabe que os ombros da sua esposa são grandes para pode-los segurar nos momentos mais frágeis. Deus quis que a minha missão tivesse um rosto e um nome. Deus quis que o nosso filho para cuidar tivesse uma identidade específica, uma criança para acompanhar e amar com um nome escolhido por Ele: Pedrógão. Esse era o seu nome. Terra desconhecida até então. Cheguei nesta terra, um dia de chuva do final de Setembro. Logo a música de banda, os sorrisos das pessoas, a festa gravado nos rostos alguns cansados e queimados de tanto viver fizeram sentir que era o mensageiro de Deus. E o coração batia sempre mais forte nas palavras de um juramento pronunciado diante do meu Bispo. É dizia entre os dentes apertados para não poder chorar…é esse! Esse é o meu povo! Longos períodos de solidão sucederam após este dia. Um centro de assistência paroquial: era preciso entrar naquela linguagem, perceber do que se falava, cinco comunidades, diferentes umas das outras, alguns jovens e uma casa para habitar, grande! Demasiado vazia por uma pessoa que nem sequer tinha família aqui. Um corredor de uma casa que assustava-me de noite pelo silencio. E depois??? Palavras, chá, conversas expectativas: foi como construir um mundo a minha volta. Finalmente começaram a aparecer os jovens que tanto desejava. Rostos alegres, choradas ao som da musica e a volta de uma fogueira. Com estes caminho. Que bom! A oração, os sorrisos, a brincadeira, o futuro para pensar e discutir, os erros a reparar: sou pastor, sou pai, sou amigo. Estes ajudaram nos seu acreditar em mim nos momentos em que a tentação de dizer: «não sou capaz!» era forte! Aqui estou agora. Naquela festa a surpresa feita pelo meu primeiro ano de sacerdócio faltava-me o ar, não consegui dizer nada. Durante a missa passou como um filme todo o meu primeiro ano. Ainda agora estou sem palavra. Todas as pessoas que ajudaram não me esqueço de rezar por elas e entrega-las a Deus e só consigo dizer a toda a minha Paroquia: «amo-vós e perdoe-me se ainda não consegui dar o máximo. Vou fazer o possível para conseguir!» Pedrógão!? Que terra tão comum mas ao mesmo tempo tão original, única! Ainda não acabou! Vamos continuar? Aqui estou!
Pe Mario
(Desculpem se há algum erro de portugúes! Foi escrito de jeito. Não importa! Estamos em família! Hehehe)

domingo, 6 de julho de 2008

the mission...

Aqui ficam alguns dados sobre o filme que vimos neste encontro... A MISSÃO

TÍTULO DO FILME: A MISSÃO (The Mission, ING 1986) DIREÇÃO: Roland Joffé ELENCO: Robert de Niro, Jeremy Irons, Lian Neeson, 121 min., Flashstar RESUMO No século XVIII, na América do Sul, um violento mercador de escravos indígenas, arrependido pelo assassinato de seu irmão, realiza uma auto-penitência e acaba se convertendo como missionário jesuíta em Sete Povos das Missões, região da América do Sul reivindicada por portugueses e espanhóis, e que será palco das "Guerras Guaraníticas. Palma de Ouro em Cannes e Oscar de fotografia.



CONTEXTO HISTÓRICO Ao longo dos séculos XVI e XVII várias missões católicas foram criadas pelos jesuítas na América do Sul. Surgidas no século XIII, com as ordens mendicantes, esse trabalho de evangelização e catequese, desenvolveu-se principalmente nos séculos XV e XVI, no contexto da expansão marítima européia. Embora tivessem como objetivo a difusão da fé e a conversão dos nativos, as missões acabaram como mais um instrumento do colonialismo, onde em troca do apoio político da Igreja, o Estado se responsabilizava pelo envio e manutenção dos missionários, pela construção de igrejas, além da proteção aos cristãos. Na análise de Darcy Ribeiro em "As Américas e a Civilização", as missões caracterizaram-se como "a tentativa mais bem sucedida da Igreja Católica para cristianizar e assegurar um refúgio às populações indígenas, ameaçadas de absorção ou escravização pelos diversos núcleos de descendentes de povoadores europeus, para organizá-las em novas bases, capazes de garantir sua subsistência e seu progresso". Durante o século XVIII o movimento missionário enfrentou problemas na América do Sul, em áreas de litígio entre o colonialismo espanhol e português. No sul do Brasil, a população indígena dos Sete Povos das Missões, foi submetida pelo Tratado de Madrid (1750), um dos principais "tratados de limites" assinados por Portugal e Espanha para definir as áreas colonizadas. Pelo Tratado de Madrid, ficava estabelecida a transferência dos nativos para margem ocidental do rio Uruguai, o que representaria para os guaranis a destruição do trabalho de muitas gerações e a deportação de mais de 30 mil pessoas. A decisão foi tomada em comum acordo entre Portugal, Espanha e a própria Igreja Católica, que enviou emissários para impor a obediência aos nativos. Os jesuítas ficaram numa situação delicadíssima, pois se apoiassem os indígenas seriam considerados rebeldes, e se contrário, perderiam a confiança deles. Alguns permaneceram ao lado da coroa, mas outros, como o padre Lourenço Balda da missão de São Miguel, deram todo apoio aos nativos, organizando a resistência desses índios à ocupação de suas terras e à escravização. Dá-se o nome de "Guerras Guaraníticas" para esse verdadeiro massacre dos nativos e seus amigos jesuítas por soldados de Portugal e Espanha. Apesar da absurda inferioridade militar, a resistência indígena estendeu-se até 1767, graças as táticas desenvolvidas e as lideranças de Sépé Tirayu e Nicolau Languiru. No final do século XVIII, os índios já tinham sido dispersados, escravizados, ou ainda estavam refugiados, na tentativa de restabelecer a vida tribal, que os caracterizava antes das missões.